Veja também: Premio CREA 2006 - Chapadão do Céu vence na categoria Saneamento

 

Premio CREA-GOIAS

DE MEIO AMBIENTE 2004

Categoria Urbanismo

Chapadão do Céu  -  GO

 

 

Cordão Verde em Chapadão do Céu, GO.

 

 

 

 

 

O município de Chapadão do Céu localiza-se no extremo Sudoeste de Goiás, já na divisa com Mato Grosso do Sul.

 

Chapadão do Céu, por ser um município em que a grande maioria de suas terras é propícia à agricultura mecanizada, teve sua sede e área urbana instalada em meio a fazendas e áreas de plantio, embora antes da maioria das lavouras terem iniciado. A agricultura extensiva moderna utiliza em larga escala defensivos agrícolas, ou agrotóxicos, no combate a pragas e doenças das diversas culturas plantadas na região: soja, milho e algodão, principalmente.

O uso intensivo de agrotóxicos na produção agrícola, muitas vezes de forma incorreta, tem trazido danos à saúde humana e ao meio ambiente. Não é raro a ocorrência de intoxicações em trabalhadores rurais, às vezes com danos graves. As razões e freqüências destas intoxicações são desde a não observância das recomendações contidas nos rótulos dos produtos até erros na aplicação. Algumas substâncias são transportadas a grandes distâncias pela volatilização e, pela precipitação, contaminam outras áreas. Percolação e lixiviação são outros fatores que causam contaminações. A má aplicação e o armazenamento inadequado de embalagens vazias fecham este ciclo de contaminações. Sendo a cidade de Chapadão do Céu encravada no centro da área de plantio, está sujeita à contaminação por agrotóxicos utilizados nas lavouras circundantes, aumentando a probabilidade de danos diversos à saúde da população.

Alguns danos à saúde são conhecidos e podem ser observados no Quadro abaixo:

 

Quadro  – Lesões Causadas por Agrotóxicos ao Homem

AÇÕES OU LESÕES CAUSADAS

TIPO DE AGROTÓXICO UTILIZADO

Lesões hepáticas

Inseticidas organoclorados

Lesões renais

Inseticidas organoclorados; Fungicidas mercúricos

Ação neurotóxica retardada

Inseticidas organofosforados; Desfolhantes

Atrofia testicular

Fungicidas tridemorfo (Calixim)

Esterilidade masculina por oligospermia

Nematicida diclorobromopropano

Cistite hemorrágica

Acaricida clordimeforme

Hiperglicemia ou diabetes transitória

Herbicidas clorofenóxis

Hipertemia

Herbicidas dinitrofenóis e pentaclorofenol

Pneumonite e fibrose pulmonar

Herbicida paraquat (Gramoxone)

Reações de hipersensibilidade (urticárias, alergia, asma)

Inseticidas piretróides

Teratogênese

Dioxina presente no herbicida 2,4,5-T

Mutagênese

Herbicida trifluralina; Inseticidas clorado e fosforado

Carcinogênese

Diversos inseticidas, fungicidas e herbicidas

Fonte: Centro de Intoxicação da UNICAMP

 

Pensando neste problema a Secretaria de Educação do Município, em parceria com a Secretaria de Saúde, Saneamento e Meio Ambiente, promoveram debates com os alunos sobre o tema e numa feira de ciências foi apresentada a proposta de se fazer um cinturão verde protetor da cidade. A idéia inicialmente aceita pelo Prefeito Municipal, foi repassada à Secretaria de Planejamento que passou a analisar sua viabilidade de implantação.

A Secretaria de Planejamento analisou os seguintes aspectos:

·        O custo das terras, que próximas à cidade são mais valorizadas,

·        A eficácia de um cinturão ao redor dos limites atuais da cidade, que poderia bloquear ou atrapalhar a expansão urbana, que eventualmente acabaria vazando para fora do cinturão, e;

·        A legislação municipal de uso e ocupação do solo já contemplava a destinação de 15% (quinze por cento) das áreas de loteamentos e desmembramentos para  equipamentos comunitários, recreação e áreas verdes (*).

 

A Secretaria então elaborou uma proposta para a criação, não de um cinturão, mas de vários cordões verdes, com 10 m de largura a cada 1.000 metros, que, ao mesmo tempo em que circundam faixas da área urbana, servindo de quebra-ventos e protetores contra a penetração de agrotóxicos, permitem a expansão urbana e integram-se à paisagem urbana, encaixando-se perfeitamente na área verde prevista na legislação, apenas com regulamentação específica para a implantação dos cordões verdes.

Ao serem previstos na implantação de novos loteamentos, os loteadores, já em seus projetos devem apresentar a proposta de locação do cordão verde, que deverá sempre ser acompanhado de vias públicas. Seu traçado estando sujeito a correções por parte da Prefeitura, caso a proposta apresentada não atenda adequadamente à idéia de proteção, ficando inclusive a aprovação do loteamento sujeita à adequação relacionada à implantação do cordão verde.

A proposta final se materializou na Lei Municipal nº 463 de 11 de dezembro de 2003, introduzindo alterações na Lei 168/97 que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano, incluindo-se dispositivos, nos incisos III, IV, V, VI e VII do artigo 6º, que regulamentam a implantação do cordão verde.

De acordo com a lei o primeiro cordão verde será implantado dentro de uma faixa de 1.200 metros de raio do ponto central da cidade em que as primeiras expansões devem ocorrer. A partir de então, a cada 1.000 metros considera-se uma nova faixa, dentro da qual deverá ser implantado um cordão verde.

Os cordões verdes deverão ter pelo menos 10 metros de largura e serão margeados por vias públicas em ambos os lados, sendo que os passeios, que no restante da cidade são padronizados com 4 (quatro) metros de largura, poderão ter 2 (dois) metros às margens do cordão verde.

Já em dezembro de 2003, com a abertura de um novo loteamento anexo à cidade, dentro da primeira faixa, a Superintendência de Meio-Ambiente do Município tomou a iniciativa de dar inicio à implantação do primeiro cordão verde, aproveitando a ocasião para realizar um evento de educação ambiental em que participaram alunos e professores no plantio das primeiras 4.000 mudas de espécies nativas da região. Foram plantados 1.500 metros de cordão verde que encontraram uma faixa de reserva natural, ainda preservada, que será incorporada ao cordão. (em anexo matéria do Jornal Novo Tempo e Fotos). Nos meses seguintes foram plantadas mais 4.500 mudas em 1.700 metros de cordão verde, totalizando até a presente data 8.500 mudas plantadas em 3.200 metros de comprimento por 10 metros de largura na parte noroeste da cidade.

Como o plantio de árvores deve ocorrer em época de chuvas, a proposta é que a cada ano se procure implantar uma parte do primeiro cordão até que circunde a cidade, mesmo nas áreas onde não há previsão de loteamentos a curto prazo. Nestes casos a Prefeitura plantaria, com a concordância dos proprietários, na divisa da área urbana com a propriedade rural, prevendo uma futura expansão e acelerando o processo de proteção dos habitantes da cidade.

Com a expansão urbana no futuro, novos cordões verdes serão incorporados, oferecendo a proteção contra o vento e agrotóxicos e também servindo como espaço de recreação e lazer, podendo às suas margens serem utilizadas para a prática de caminhadas e outras modalidades de exercícios por parte da população.

 

 

Demonstrativo das faixas, dentro das quais devem ser implantados cada cordão verde, na medida em que os novos loteamentos forem sendo aprovados.

 

 

 

 

 


 (*)   Lei Municipal 168/97 alterada pelas leis 404/02 e 463/03:

 

Art 8° - As áreas destinadas à implantação de equipamentos urbanos e comunitários, bem como a espaços livres de uso público, serão no mínimo de 45% (quarenta e cinco por cento) da área da gleba distribuídas da seguinte forma:

I – no mínimo 30% (trinta por cento) para o sistema viário;

II – no mínimo 15% (quinze por cento) para equipamentos comunitários, recreação e áreas verdes.

§ 2º - A critério do Executivo Municipal, os percentuais das áreas mínimas dos incisos anteriores podem ser alterados em até 8% (oito por cento), desde que compensado em outro item, nunca ficando abaixo do total de 45% da área total do loteamento.

 

 

Alunos e professores dando início à implantação da idéia em aula de educação ambiental.

O plantio das primeiras mudas feito pelos alunos.

Funcionários da Prefeitura marcando a posição para o plantio.

A perfuração dos buracos que receberão as mudas.

Preparando as mudas de espécies do cerrado.

Viveiro onde foram geradas boa parte das mudas.

Plantando as mudas.

Curso de preparo de mudas e manejo de viveiro.

 


Imagem aérea da implantação da primeira etapa do Cordão Verde em Chapadão do Céu.

 

 

Cordão Verde implantado em 2004.


 

 

A proposta e a implantação do cordão Verde tiveram repercussão na imprensa local e estadual:

 

 

 

 

Notícia publicada no site Jovem Sul News e no Jornal Novo Tempo, de Chapadão do Sul, MS,

em janeiro de 2004.

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

Notícia publicada no site Jovem Sul News e no Jornal Novo Tempo, de Chapadão do Sul, MS,

em setembro de 2004.

 

 


 

 

 

Notícia publicada no site Jovem Sul News e no Jornal Novo Tempo, de Chapadão do Sul, MS,

em novembro de 2004.

 

 

 

 

 

 

E finalmente matéria publicada no Jornal O Popular de Goiânia em 30 de janeiro de 2005:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cercada de extensas lavouras por todos os lados. A cidade de Chapadão do Céu, a 480 quilômetros de Goiânia, já nasceu assim, em 1982: ilhada em meio às plantações existentes, a maioria de soja. Em alguns pontos, lavouras estão a menos de 100 metros de casas. A cidade tem 3,2 mil moradores e, com a população da zona rural, o município alcança 4,8 mil habitantes, espalhados em 250 mil hectares de área.

É uma proximidade tão intensa entre lavoura e vida urbana que impressiona à primeira vista quem vai à cidade. Chapadão do Céu fica no extremo Sudoeste goiano, na divisa de Goiás com o Mato Grosso do Sul, onde o Parque Nacional das Emas surge como um oásis numa região marcada pela escassez de áreas verdes e por uma agricultura com força de ciclone, sustentada num solo vermelho de textura argilosa e areias quartzozas.

Se é dia de vento forte, coisa comum nos chapadões brasileiros, os moradores ficam sensivelmente expostos à aplicação de agrotóxicos que combatem as pragas das culturas de soja, milho, girassol e algodão, as mais comuns na região. E essa borrifação pode chegar à média de seis aplicações anuais de diferentes defensivos, entre safras e safrinhas. Dados da Secretaria de Planejamento de Chapadão do Céu indicam o município como a maior arrecadação per capita de Goiás, fruto de uma economia 80% centrada na agricultura.

Conciliar a vocação para tanta produtividade com as condições de vida da população, contudo, se transformou em verdadeiro desafio ao município, emancipado há apenas 12 anos. A questão de como barrar ou reduzir a entrada de defensivos na zona urbana de Chapadão do Céu virou notícia, assunto das rodas de bate-papo e até tema nas salas de aula. Curiosamente foi assim que, em 2003, a solução surgiu, fruto de um desenho feito por um grupo de crianças entre 11 e 14 anos, alunos da Escola Municipal Dona Amélia.

O objetivo era inscrever o trabalho num concurso do Ministério da Educação chamado Vamos Cuidar da Nossa Cidade. Mas o desenho acabou debatido numa conferência municipal sobre meio ambiente com mais de 800 estudantes e tomou outro rumo. O trabalho levaria a prefeitura de Chapadão do Céu a receber, um ano depois, o prêmio do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Goiás (Crea) de Meio Ambiente, pela implantação do projeto, voltado ao desenvolvimento sustentável.

Isso foi possível porque, na seqüência, a legislação municipal foi adaptada e o trabalho aperfeiçoado tecnicamente para depois ser implantado. Cordão Verde Protetor foi o nome dado ao trabalho, cujo primeiro esboço foi um desenho da adolescente Queila Borille Carrijo – que em 2003 tinha 12 anos –, filha de uma dona de casa e de um pedreiro. Também participaram da elaboração as colegas Izabel Carolina da Silva, 15, e Elielza Cândida Alves, 15.

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Técnica e criatividade
para recuperar área verde

Transformado em projeto, o Cordão Verde Protetor significa hoje um pontapé consolidado para mudar a realidade em Chapadão do Céu, município que já não tem mais reservas legais e que precisou reconstituir as áreas devastadas próximas da zona urbana, conciliando a lei de loteamentos com criatividade e técnica.

Trata-se do plantio em faixas, direcionado e obrigatório, de milhares de mudas nativas do Cerrado, várias delas frutíferas (veja quadro), em todos os loteamentos novos que surgirem. Dois loteamentos implantados depois da criação do Cordão Verde já foram incorporados, com um total de 2,3 mil metros de extensão, somando 9,5 mil mudas plantadas.

"Experiência parecida, só vi nos Estados Unidos.”
Eduardo Pagnoceli, prefeito de Chapadão do Céu

Engenheiro agrônomo e produtor rural, o prefeito de Chapadão, Eduardo Pagnoceli Peixoto, que fez o acompanhamento técnico junto com o secretário de Planejamento, Joênio Alves de Araújo, acredita que se trata de um projeto pioneiro no País. “Experiência parecida só vi nos Estados Unidos”, cita. Ele conta que o projeto foi adaptado para ser viável técnica e economicamente e para mudar o perfil de um cinturão verde, como as crianças idealizaram inicialmente. Isso evitaria, salienta, que o modelo esbarrasse no crescimento da cidade, ou fosse atropelado por ele.

IDH


Mesmo sendo uma cidade com poucos habitantes, o município de Chapadão do Céu vem se notabilizando em outros campos de interesse social e econômico. Em 2003 o município surgiu como campeão goiano na classificação do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil como o melhor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) do Estado entre 1991 e 2000, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pela Fundação João Pinheiro.

Com um IDH-M de 0,834, Chapadão superou até Goiânia, que alcançou o índice de 0,832 . Conforme dados da prefeitura, Chapadão do Céu oscilou nos últimos anos entre o terceiro e o quinto lugar em produção e produtividade agrícola entre os 246 municípios goianos. Em 2002, o município foi campeão brasileiro em colheita de girassol e ocupou o segundo lugar em produção de milho.

Outro dado que chama a atenção é o número de habitantes vindos de outros Estados. Estimativas não oficiais indicam que 65% dos moradores de Chapadão do Céu são imigrantes, especialmente da Região Sul do País.

 

 


Uma faixa verde a cada mil metros

A lei municipal 463, de 11 de dezembro de 2003, que permitiu a materialização do projeto, determinou que a primeira faixa do Cordão Verde fosse plantada a 1,2 mil metros de raio do ponto central da cidade e as demais a cada mil metros. Assim, o plantio foi pensado para cercar toda a zona urbana, cortada pelo encontro das GOs 050 e 206.

Cada faixa tem 41 metros de largura, envolvendo sempre duas ruas e 6 metros de calçadas entre as laterais das áreas arborizadas e as ruas (veja quadro). A parte plantada é de 10 metros de largura, com seis fileiras de árvores e 1 metro de espaço no meio para o acesso de um pequeno trator. Nas quatro calçadas seguem fileiras de árvores.

A extensão de cada faixa pode ser quilométrica, dependendo do tamanho do loteamento. O conjunto já plantado fica a exatos dez passos de uma grande lavoura de soja e algumas árvores já atingem a mesma altura das crianças que pensaram o Cordão Verde Protetor.

“Em 2005 teremos cercado toda a zona urbana da cidade”, afirma o prefeito de Chapadão do Céu, Eduardo Pagnoceli. Segundo ele, a principal barreira ao Cordão Verde – a resistência dos produtores rurais das áreas mais próximas da zona urbana, que têm de destinar mais área pública – foi superada sem traumas e sem disputas judiciais. “Mesmo os mais afetados entenderam a necessidade de uma barreira natural protegendo a cidade”, informa o prefeito.

 

 

 

Agrotóxicos afetam saúde

Antes do projeto Cordão Verde Protetor, os produtores rurais das regiões vizinhas de Chapadão do Céu eram obrigados apenas a restringir o uso de agrotóxicos aos de faixa verde para aplicações perto da zona urbana. Nessa faixa estão os produtos menos nocivos – seguidos das faixas azul, amarela e vermelha, por ordem de maior toxicidade. Alguns também tentavam evitar borrifar defensivos nos dias em que o vento estava a favor da cidade, mas essas medidas tinham pouco resultado.

A estudante Elielza Cândida conta que as aplicações de defensivos nas lavouras são sentidas pelos moradores “na pele”, e no caso dela, especialmente no ar. “Casos de bronquite, como o meu, são freqüentes”, relata. Dados da Secretaria de Saúde de Chapadão do Céu confirmam que o aumento do índice de ocorrências de diarréia no município, entre janeiro e julho, e de problemas respiratórios, entre julho e setembro, são associáveis à aplicação mais intensa de determinados defensivos. Conforme o agrotóxico, podem ocorrer lesões hepáticas e renais, problemas neurológicos, fibrose pulmonar, alterações genéticas e até câncer.

Os casos notificados de intoxicação por agrotóxicos, computados em Chapadão do Céu nos últimos três anos, não passaram de 23. A explicação para o índice ser baixo em uma área de aplicação de defensivos em larga escala – próxima de habitações humanas – é atribuída à pequena notificação.

Lazer
Mas além dos ganhos à saúde, as adaptações feitas ao projeto inicial vão embelezar e permitir a melhoria na qualidade de vida à população de Chapadão do Céu. Entre os benefícios estão a garantia de trafegabilidade junto ao Cordão Verde, equipamentos urbanos para lazer e esporte, quiosques para feiras ao ar livre e recreação em espaços anexos às faixas verdes.

Do ponto de vista de custo, o Cordão Verde precisou de pouco investimento da prefeitura, considerando o baixo preço das mudas (20 centavos), ultrapassando, no total, pouco mais de R$ 1 mil, com o frete. O município também ganhou parte das mudas e contou com outras produzidas por um programa ambiental da cidade ligado a famílias carentes. A meta é obter a liberação das áreas pelos donos dos loteamentos, prevista em lei, e continuar contando com preços baixos para manter o plantio de mais árvores.