Yosikazu
Maeda

Marconi
Perillo e o secretário da
Agricultura, José Mário
Schreiner (D): abertura da
colheita |
AGRICULTURA
Estado quer
voltar
a ser 2º em algodão
Governador
Marconi Perillo
anuncia medidas de incentivo
ao setor, durante abertura oficial
da colheita em Chapadão do Céu
Lúcia
Monteiro
Goiás deve
voltar a ocupar a vice-liderança nacional
na produção de algodão em dois anos. O
Estado, que já foi o maior produtor do País,
hoje ocupa a terceira posição no ranking
nacional, atrás do Mato Grosso e Bahia.
Para voltar ao segundo lugar, a produção
goiana de algodão está crescendo até 40%
ao ano e o governo estadual, por meio da
Secretaria da Fazenda, estuda a
possibilidade da adoção de medidas fiscais
e tributárias que dêem mais
competitividade ao produto goiano. Ontem, o
governador Marconi Perillo abriu
oficialmente a colheita de algodão no
Estado, na Fazenda Novo Milênio, em Chapadão
do Céu, no Sudoeste goiano.
Desde 1998, a
produção goiana praticamente triplicou,
passando de 67 mil toneladas para 180 mil
toneladas de algodão em pluma. A área
plantada passou de 90 mil hectares no ano
anterior para 140 mil hectares na safra
atual. Somente em Chapadão do Céu,
um dos maiores produtores de Goiás, a área
plantada por 29 cotonicultores subiu de 12
mil hectares na última safra para 22.300
hectares este ano e o município já
registra a maior produtividade do Estado:
4.500 quilos por hectare. Cerca de 40% da
produção goiana é exportada para países
da Ásia e Europa.
Para continuar
incrementando a produção, o governador
Marconi Perillo destacou a importância do
viabilização do Programa de Apoio à Produção
de Algodão (Proalgo) e do Fundo de
Incentivo à Cultura do Algodão (Fialgo).
Atualmente, segundo ele, o governo do Estado
analisa a aplicação de medidas fiscais e
tributárias de apoio à produção. Uma
delas é um pleito do Fialgo visando
facilitar a venda do produto goiano, através
de incentivos ao cooperativismo.
Industrialização
O objetivo é desonerar o produtor, que teve
o custo de suas vendas elevado por causa do
PIS/Cofins. O governo estadual também já
assinou alguns protocolos de intenções
para viabilizar a industrialização do
produto em Goiás. “Estamos trabalhando
junto à Organização Mundial do Comércio
(OMC) para que haja mais abertura para o
algodão brasileiro”, destacou o
governador, lembrando que, em 2006, o Estado
vai sediar um grande evento voltado para
toda a cadeia do produto.
O produtor
Osvaldo Fiúza, coordenador do Conselho
Gestor do Fialgo, diz que o crescimento da
produção goiana ocorre de maneira
equilibrado, com sustentabilidade, qualidade
e rentabilidade para o produtor. Ele também
atribui o bom desempenho à rotação de
culturas, que favoreceu a produção nos últimos
anos. Fiúza lembra que o investimento e o
custo da produção de algodão são muito
elevados (até US$ 1.200 por hectare).
O cotonicultor
Renato Schneider, vice-presidente do
Sindicato Rural de Chapadão do Céu
e proprietário da Fazenda Novo Milênio,
vai colher 6.600 toneladas de algodão
produzidas em 460 hectares cultivados, com
uma produtividade de até 300 arrobas (4.500
quilos) por hectare. “Nossa produtividade
só não foi maior por causa do grande
volume de chuvas na região”, destaca o
produtor.
O governador
garantiu aos proprietários rurais do município
que o decreto que cria a reserva Refúgio de
Vida Silvestre da Panela, na região de Chapadão
do Céu, ainda será amplamente
discutido com o setor produtivo local antes
de ser aprovado. “Ainda precisamos saber
se temos dinheiro para desapropriações. É
uma área importante sob o ponto de vista
ambiental, mas também sob o ponto de vista
da produção.”
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