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http://www2.opopular.com.br/anteriores/12jan2003/politica/default.htm Goiânia, 12 de Janeiro de 2003 |
| População
total 3.778
Rendimento médio R$ 941,00 Taxa de alfabetização 95% Domicílios permanentes 1.026 O município é considerado o melhor lugar para se viver no Estado e tem economia baseada na agricultura. A família do produtor Rogério Hoffman (foto) veio do Sul do País e prospera com a agricultura. Ele afirma que jamais pretende deixar o lugar. |
População
total 3.383
Rendimento médio R$ 247,00 Taxa de alfabetização 67% Domicílios Permanentes 780 A maioria da população de Buritinópolis não tem emprego ou outra atividade que gere renda. Para economizar, a dona de casa Dejanira Maria da Silva (foto) lava as roupas da família no Rio Buriti, principal atração de lazer da cidade. |
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Goiânia, 12 de Janeiro de 2003 |
| A vida na melhor e na pior
cidade
Geração de renda é o principal fator que diferencia a qualidade de vida dos moradores de Chapadão do Céu, no Sudoeste goiano, e Buritinópolis, no Nordeste.
Almiro Marcos e Maria José Braga de Chapadão do Céu e Buritinópolis
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Fotos: Mantovani Fernandes e
Walter Alves
A gari Edna e o garçom Diomar não pensam em deixar Chapadão do Céu.
Anita vive com 160 reais em Buritinópolis, que tem uma erosão na avenida que corta a cidade. |
| Já em Buritinópolis, que
possui uma grande área territorial, a principal atividade econômica é a
agropecuária, mas de subsistência. A falta de investimentos na cidade
deixa os habitantes sem perspectiva de emprego e muitos, principalmente os
jovens, abandonam a cidade para tentar conseguir uma ocupação que lhes
garanta a sobrevivência. A reportagem do POPULAR foi constatar como é a
vida dos moradores, as principais qualidades e problemas das duas cidades.
Vida passa devagar "Aqui não tem emprego", reclama o estudante Valmir Rocha dos Santos, de 20 anos, morador de Buritinópolis. Ele está cursando o 2º ano do ensino médio (antigo 2º grau) e vai se mudar assim que terminar o 3º ano. "Eu quero trabalhar e aqui é muito difícil", disse. Valmir ainda não sabe para onde vai, mas imagina conseguir um bom emprego em Brasília e, quem sabe, poder continuar os estudos. A falta de oportunidades de emprego é a principal causa da migração dos jovens de Buritinópolis. Valmir vai seguir a maioria, que fica na cidade somente até concluir o ensino médio. Depois, o caminho natural é a mudança para Brasília, o grande centro urbano mais próximo, ou para Alvorada do Norte ou Posse, cidades também pequenas, mas com atividades comerciais mais desenvolvidas. Em Chapadão do Céu, o fluxo é inverso. Quem vive na cidade não quer deixá-la e o município continua recebendo imigrantes de várias partes do País. Desde sua fundação, no início dos anos 80, a atividade econômica funciona como um imã para a região. Normalmente as famílias chegam em busca de melhoria de vida, acabam sendo correspondidas e fincam raízes por ali. Uma estimativa não oficial aponta que mais de 65% da população é formada por pessoas vindas de outros Estados. A maior parte é de gaúchos, paranaenses e catarinenses, mas também são comuns os paulistas e nordestinos. O principal atrativo de Chapadão do Céu é a agricultura, com destaque para a produção de soja e milho. O garçom Diomar Torres Júnior, 42, goiano de Urutaí, chegou a Chapadão há cinco meses e não pensa em ir embora. "Rodei pelo Brasil inteiro e nunca havia achado um lugar tão bom. Vim para ficar", resume. O principal motivo para essa decisão é justamente a boa qualidade de vida encontrada no município. "Desde o dia que cheguei nunca fiquei sem trabalhar. E olha que nem ganho tão mal", conta. Exercendo sua função durante o dia em um restaurante e à noite em uma pizzaria, Júnior ganha em média R$ 2.500 por mês. "E nem me desgasto tanto", comemora. Situações diferentes A prefeitura de Buritinópolis é a grande empregadora do municípios. Tem 90 funcionários concursados e cerca de 30 comissionados ou diaristas. Ela mantém seis escolas do ensino fundamental e uma da pré-escola (o Estado mantém outras duas unidades escolares, uma que oferece o ensino médio). Também mantém o posto de saúde local e está construindo um hospital municipal. A prefeitura, com o apoio de programas dos governos estadual e federal, é, de fato, a promotora do desenvolvimento. O desenvolvimento que deu a Chapadão do Céu o melhor IDH-M de Goiás foi proporcionado pela atividade agrícola, que transformou a cidade num grande pólo produtor de soja. Antigos e novos moradores da cidade apontam, no entanto, que o caminho para o crescimento é um só: trabalho. Esse é um ponto de convergência entre os mais pobres e os mais ricos do município. "Aqui se trabalha. Só é possível conseguir vencer através disso", conta o ex-prefeito e atual secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Joênio Alves de Araújo. E os que estão dispostos a trabalhar sempre são bem-vindos, especialmente no período de trabalho de plantação e colheita. Em média, uma mulher pode ganhar 50 reais por dia. Já o valor pago a um homem geralmente chega a 80 reais. Na época em que abrem-se vagas na agricultura, o município recebe centenas de trabalhadores rurais vindos de vários lugares. Muitos fixam residência ali e outros tantos vão embora. Para os que ficam, resta aguardar pelo próximo período de trabalho ou tentar arrumar algum emprego fixo. Talvez por isso o índice de desemprego pode ser alto ou baixo, dependendo da época do ano. "Na época de trabalho na safra, esse índice é quase zero. Para o restante do ano não temos cálculos, mas não é alto, já que muitos trabalhadores voltam para seus locais de origem assim que a colheita acaba", enfatiza o secretário municipal Joênio Araújo. Mendigos Os andarilhos e mendigos que aportam em Chapadão do Céu constantemente passam a conhecer de perto essa realidade. Geralmente eles ficam alguns dias na cidade e, sem sucesso no ofício de pedir esmolas, acabam procurando a Secretaria de Promoção e Ação Social em busca de ajuda. O órgão público lhes oferece alimentação e uma passagem de ônibus para novo destino, em troca de pequenos serviços braçais. |
Emancipação trouxe
progresso para as cidades
Planejamento urbano e atividade agrícola garantirammelhora na qualidade de vida de Chapadão do Céu.
Poucos
municípios no Estado têm o perfil urbano de Chapadão do Céu. Resultado
de um projeto de planejamento, as ruas e avenidas são largas e
arborizadas e os prédios públicos são bem distribuídos. As praças são
bem cuidadas e as vias mantidas limpas. Hoje é difícil – quase impossível
até – se encontrar lixo espalhado pelas ruas. A proeza é alcançada
por um eficiente serviço de limpeza encabeçado por garis e lixeiras. Aliás,
é meta da prefeitura transformar Chapadão do Céu na cidade mais limpa
do País. "Além do que já é feito, estamos construindo uma usina
de reciclagem de lixo", informa o prefeito Eduardo Pagnoncelli
Peixoto (PMDB).
O comércio local é bem estruturado, com capacidade para suprir as necessidades da população e dos visitantes. A comunidade também tem acesso facilitado a serviços públicos essenciais como saúde, educação, saneamento e lazer. Uma deficiência é a falta de opções de lazer noturno para a juventude. Em Buritinópolis, não existe nenhuma agência bancária. Os dois supermercados podem ser comparados aos mercadinhos de periferia das grandes cidades e as mercearias e bares existentes garantem a sobrevivência apenas de seus donos. Do mesmo modo, as atividades agropecuárias quase não geram empregos. Os pequenos proprietários rurais praticam a agricultura de subsistência e os grandes optam pela agropecuária.
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