| Pelos
caminhos sertanejos de Goiás
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Em meio à paisagem rural, trilhas do Parque Nacional das Emas e de Serranópolis
põem o turista frente a frente com a vida do Cerrado
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Fabio Vendrame/AE
Perto de Serranópolis, há roteiro por cachoeiras, como a do Diogo e a ‘hora
do rush’ no Chapadão do Céu: 750 cabeças de gado na estrada
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- Cena de uma estrada no sertão de Goiás: com berrante e chapelão, o
boiadeiro toca 750 cabeças de gado pelo mesmo caminho de terra que leva os
turistas a um recanto isolado da cidade. A poeira sobe, espessa e vermelha. Por
um instante, visitantes e animais confundem-se. Demora um pouco para a imagem
recuperar a nitidez. Uns começam a fotografar. Outros seguem sua marcha. "É
a hora do rush", brinca o guia.
- Momentos depois, dissipa-se o trote regular dos bois pisando o chão de
terra batida. O gado fica para trás; a poeira baixa. Após rodar cerca de 480
quilômetros a partir de Goiânia, entre trechos de terra e de asfalto, alcança-se
Chapadão do Céu, cidadezinha com menos de 4 mil habitantes e projetada para
ser a porta de entrada do Parque Nacional das Emas.
- Belas paisagens e cenas inusitadas acompanham os viajantes, mas não
escondem o estado deplorável de alguns trechos das rodovias goianas. Os
motoristas devem redobrar a atenção para não estourarem pneus nem atropelarem
os animais silvestres que cruzam as pistas inadvertidamente.
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- Por conta disso, a viagem pode tornar-se mais cansativa que o previsto. Nada
melhor, então, do que um bom lugar para descansar e recarregar as baterias.
- Perto de Chapadão do Céu, uma boa pedida é a Fazenda Santa Amélia. Às
margens do Rio Formoso, a Santa Amélia promove passeios de barco e a cavalo, e
ainda mantém um pesque-pague. O ponto forte, porém, está nas mãos de Creuza
Garcia de Matos, encarregada de preparar o arroz com feijão goiano. "Gosto
de ver gente satisfeita, com a barriga cheia e o sorriso de boca inteira",
diz ela.
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- Esta é a melhor época para ver animais
- Dali, fica fácil chegar ao Parque Nacional das Emas, mais de uma vez
comparado a um zoológico a céu aberto pelos guias turísticos. De junho a
setembro, quando se dá a época da seca, é o período ideal para ver animais.
Mas antes de pegar a estrada, é bom atentar-se a algumas dicas e
particularidades da reserva. Para quem quer ir além, há uma opção ainda
melhor do que seguir direto para o Parque das Emas. No caminho entre Goiânia e
Chapadão do Céu, reserve três noites para Serranópolis. Com acentuado traço
sertanejo, a cidade merece figurar nos melhores guias de ecoturismo do Brasil.
Na quase desconhecida Serranópolis, de 6,5 mil habitantes, o ecoturismo aparece
em sítios arqueológicos, trilhas em reservas naturais, grutas, cachoeiras de
tirar o fôlego e na observação de aves e de animais. E, ainda, em bons meios
de hospedagem, que em nada decepcionam o viajante. Também por isso vale a pena
incluir a discreta cidade num roteiro pelos caminhos sertanejos de Goiás.

FÁBIO VENDRAME
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| Safári
à brasileira no Parque das Emas
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Patrimônio Natural da Humanidade, área protegida de 1.318 km2 de Cerrado
cercada de fazendas em Goiás é um verdadeiro zoológico a céu aberto com 10
mil espécies de plantas, 840 de aves, 160 de mamíferos, 150 de anfíbios e 120
de répteis. Um tesouro de biodiversidade ao alcance dos turistas
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Fábio Vendrame/AE
Observador de pássaros no Mirante do Avoador
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- De cima de uma Kombi, o guia vasculha as redondezas com o binóculo que
ganhou de presente de um turista americano. "Ahá, eu sabia!", diz,
poucos minutos depois. "Ali está ele", indica, com o dedo em riste, a
direção em que chafurda um tamanduá-bandeira, em meio à área alagadiça
semelhante a um pântano.
- É para lá que seguem os visitantes, enfiando o pé na lama, com água na
altura dos joelhos, para tentar flagrar o animal em seu hábitat. Experiência
digna dos melhores safáris africanos.
- Talvez a mais fiel interpretação de um safári, à moda brasileira tenha
lugar no Parque Nacional das Emas, em Goiás. Na reserva reconhecida pela Unesco
como Patrimônio Natural da Humanidade encontram-se todos os matizes do Cerrado,
a paisagem brasileira que mais se assemelha às savanas africanas. Tudo começa
nos caminhos que cortam o extremo oeste de Goiás rumo à área protegida, com
1.318 quilômetros quadrados de Cerrado, cercado de fazendas.
- Já na estrada avistam-se emas e veados-campeiros alimentando-se de soja e
milho nas propriedades particulares, além de aves em profusão - especialmente
ao nascer do sol. Quanto mais cedo se chega ao Parque das Emas, mais animais se
vêem. A reserva protege um dos ecossistemas mais frágeis do planeta, que, em
contrapartida, conserva uma biodiversidade enorme: 10 mil espécies de plantas,
840 de aves, 160 de mamíferos, 150 de anfíbios e 120 de répteis.
- O guia Edmar Paes Barbosa, de 47 anos, que trabalha há três anos no Parque
das Emas, é capaz de identificar os mais discretos movimentos em meio à vegetação.
"Se não fizerem silêncio, fica difícil ver os animais", adverte.
- Depois de apreciar o tamanduá - animal quase cego e surdo, mas de olfato
extremamente apurado -, o safári deixa o Repouso do Cabeção em direção ao
Mirante do Avoador, onde, com sorte, podem-se avistar onças. Não foi o nosso
caso, em meia hora de observação. No retorno, uma parada na Lagoa da Capivara,
um dos cartões-postais do Parque Nacional.
- O local oferece uma privilegiada vista do Rio Formoso, no qual nadam
habilmente as cobras sucuris. Edmar pisa seco no freio. Ninguém entende nada.
Ele estica a cabeça para fora da janela e abre um sorriso de boca inteira.
Havia encontrado pegadas de onça. Todos descem e observam, intrigados.
Trata-se, segundo Edmar, de uma onça-parda, que deixara havia pouco o local.
- Há apenas 50 exemplares dos maiores felinos brasileiros no Parque Nacional,
entre onças-pintadas e pardas. Atualmente está em curso um projeto de estudo
das onças, feito pela ONG Pró-Carnívoros. Cientistas têm monitorado o
comportamento dos animais e, entre outras descobertas, souberam que um macho
matou um filhote. "Dizem que para copular de novo", conta o guia.
- As pesquisas são outro aspecto importante no Parque das Emas. Embora ainda
sem infra-estrutura para turismo - não há centro de visitantes, tampouco
restaurante -, existem núcleos de pesquisa dedicados a diferentes espécies:
veado-campeiro, tamanduá-bandeira, serpentes e onças, entre outros. "Já
sabemos, por exemplo, que o sistema de aceiro permite sobra de alimentos o ano
inteiro", diz o biólogo Alexandre Berndt, de 32 anos. Ele se refere ao
projeto Preve Fogo, em que equipes do Ibama promovem queimadas controladas para
garantir o ciclo natural das diversas espécies componentes desse intrincado
mosaico da vida que somente agora abre oficialmente as portas aos turistas.
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- Plano de manejo em elaboração
- Criado em 1961, o Parque Nacional das Emas ainda carece de um plano de
manejo para turismo. No entanto, segundo seu diretor, Gabriel Cardoso Borges, o
projeto encontra-se em fase de elaboração. "Deverá estar pronto até o
fim de 2004", promete. E adianta que as atividades de aventura serão uma
das vertentes a serem desenvolvidas. "Queremos ampliar as opções turísticas,
com a introdução do bóia-cross no Rio Formoso."
- Borges admite que o processo poderá ser "um pouco lento". Até
porque, com a verba destinada pela União ao Parque das Emas, cerca de R$ 200
mil por ano, não há muito a se fazer. "Por enquanto, é o suficiente para
a manutenção."
- Mesmo sem a estrutura adequada, o Parque das Emas recebe em média mil
visitantes por ano. Já se sabe que o interesse desse público recai
especialmente sobre a observação da vida selvagem, especialmente a observação
de pássaros.
- Há ainda o fenômeno da bioluminescência, produzido por larvas de
vaga-lumes que se alojam nos cupinzeiros - há milhares espalhados na reserva.
- A viagem foi oferecida pela FreeWay Adventures.
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| Serranópolis:
um show de adrenalina
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Turismo rural na região da cidade goiana inclui impressionantes cachoeiras e sítios
arqueológicos. Mas é preciso encarar trilhas íngremes nas caminhadas
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Fábio Vendrame/AE
Cachoeira do Rio Corrente, no Recanto da Saudade, tem 37metros de largura e 19
metros de altura
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No caminho de volta para casa, guarde fôlego para fechar em grande estilo a
viagem pelo sertão goiano. Na região de Serranópolis, rotas independentes,
feitas com o auxílio de um guia local, levam a impressionantes cachoeiras e a sítios
arqueológicos esquecidos no tempo. Vale a pena. Antes de mais nada, porém,
tenha em conta o sacrifício que isso implica. É preciso abrir caminho no
peito, encarar trilhas com o mato na altura da cintura, atravessar espinheiros e
escalar trechos com corda.
- Toda a riqueza natural contida nessas rotas alternativas fica em
propriedades particulares. Não há, de fato, terra sem dono. Sendo assim, o
abrir e fechar de porteiras passa a integrar o "pacote". O Recanto da
Saudade, sítio de dona Vanderci Bertini Honório Oliveira, de 45 anos, dá
acesso, por exemplo, a uma grandiosa queda-d'água, com 37 metros de largura e
19 metros de altura.
- Por conta do estrondoso volume, que desborda no Rio Corrente, levanta-se uma
cortina de água diante dos olhos incrédulos de quem se situa na base da
cachoeira. Bem, para chegar lá é preciso descer uma "senhora"
ribanceira, perigosamente escorregadia, escorado por uma corda. No fim do
trajeto, puro delírio, mas apenas visual: a força da água impede qualquer
tentativa de banho. O ingresso, cobrado por dona Vanderci, custa R$ 3 por
visitante.
- Dali, segue-se para outra cachoeira. Dessa vez, não será preciso descer
nem subir por corda, mas atravessar pastos e campos de espinhos para chegar a um
mirante de arrepiar. Fica-se praticamente ao lado da enorme queda-d'água, que,
na base do "chutômetro", deve ultrapassar os 30 metros de altura.
Como ela é bem mais estreita que a anterior - e fica no mesmo rio -, a força
da corredeira e a cortina de água produzidas são ainda maiores.
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- Mata ciliar intocada
- Dá para perder o fôlego mirando a mata ciliar ao redor do Rio Corrente.
Intocada. Agora, muito cuidado: o único ponto de apoio é uma embaúba fixada
no limite de um respeitável penhasco. Quem quiser fotografar a cachoeira terá
de escorar-se nela. Toda cautela é pouca, porque o chão costuma estar úmido.
Tente deixar essa visita para o fim da tarde, quando grupos de tucanos e de
araras rasgam o céu. A imagem fica para sempre na memória.
- Outro circuito recomendável a quem quer sempre mais - e não se incomoda
com carrapatos - cruza as terras de fazendas de gado que ainda resistem em não
transformar em pasto o pouco que resta da mata nativa.
- Começa numa carreira, um antigo caminho de boi. Atravessa-se um bom trecho
com mato alto, por vezes roçando o queixo. Aos poucos, a paisagem muda, a
vegetação fecha e até o calor diminui. Três presentes da natureza esperam
pelos turistas que encaram essa. Duas grutas e uma empolgante cachoeira, de 50
metros de altura, valem a caminhada. Quem quiser pode se banhar na base da
queda-d'água, que desliza por um paredão alaranjado. Já a visita às
cavidades areníticas é um capítulo à parte.
- As grutas formam o Sítio Arqueológico Diogo Lemes de Lima, antigo dono
daquelas bandas. A maior, conhecida como Gruta do Diogo 1, tem 50 metros de
abertura e cerca de 40 metros de altura. Em suas paredes, marcas de vandalismo
competem com as pinturas rupestres resistentes ao tempo e ao descaso. Muitas das
figuras que, segundo uma placa deixada no local, registram a passagem das
primeiras ocupações humanas do Planalto Central brasileiro, já desapareceram.
- Não dá para avaliar se o que ocorre na Gruta do Diogo 2 é pior. Ali, o
gado descobriu um recanto aprazível, protegido do sol. O problema é que, além
do estarrecimento causado em quem se depara com bois ali, o pisoteamento de
patrimônios naturais da União, a exemplo de grutas e cavernas, infringe a lei.
Um caso de polícia.
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| Conheça
a fazenda que virou zôo a céu aberto
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Reserva Particular de Proteção Natural Pousada das Araras dedica-se ao
turismo, mas não abre mão do trabalho conservacionista. Plantas e animais são
as maiores atrações do local
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Fabio Vendrame/AE
O vôo das araras visto do alto de um torreão
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- Duas torres naturais levantam-se em meio ao Cerrado do extremo sudoeste
goiano e demarcam a área em que está a Reserva Particular de Proteção
Natural Pousada das Araras. As formações rochosas se distinguem na paisagem,
desde a estrada que liga a acanhada Serranópolis, cidade rural com menos de 6
mil habitantes, ao mundo.
- De rara beleza cênica, a reserva natural vive do turismo, sem abrir mão do
trabalho conservacionista de importância vital para a biodiversidade do
Cerrado, um dos ecossistemas mais frágeis e ameaçados do planeta. Das duas,
uma: se houver vaga, a melhor opção é hospedar-se em um de seus dois chalés.
Se não, há que se contentar com um dia de exploração, com caminhadas na mata
e banho na piscina natural.
- Sempre na companhia de um guia, as trilhas interpretativas transformam-se em
aulas de biologia a céu aberto. Nativo da região e herdeiro da reserva
natural, Maykil Souza Braga Ramos, de 19 anos, acompanha os grupos turísticos e
explica, com propriedade, cada detalhe da fauna e da flora locais. Há quatro
caminhos abertos no Cerrado. O mais longo tem nível de dificuldade médio e
oito quilômetros de extensão, ida e volta.
- Precauções para encarar as trilhas
- Antes de entrar na trilha, algumas precauções se fazem necessárias.
Troque a bermuda por uma calça e prefira calçados resistentes. Apesar de o
solo do Cerrado ser essencialmente de origem arenosa, o que o torna macio para
caminhadas como uma praia, as subidas e descidas até o cume dos torreões
exigem disposição e um solado resistente. A calça vai bem para evitar o
contato com a vegetação e os carrapatos.
- Diante da primeira formação rochosa, os turistas param e levantam o olhar:
no alto, um casal de curicacas nem se incomoda com a movimentação abaixo. Mais
à frente, entra-se na fresta aberta na grande rocha que vai dar na Arca de Noé,
nome dado a uma pedra em forma de casco de navio presa entre dois paredões.
Ali, vive a rara suindara (coruja-branca).
- Espécies típicas do cerrado estão em todo o percurso. Uma infinidade de
plantas, muitas com nomes e aspectos curiosos, são enumeradas pelo guia, que,
de quebra, cita suas propriedades terapêuticas. Angico, barbatimão, boca-boa,
coroada, gravatá, indaiá, jatobá, mangaba, maminha-cadela, marmelo, murici,
pau-doce, pau-terra, peito-de-moça, pequizeiro, sucupira e unha-de-vaca são
apenas alguns dos exemplos Mas o espetáculo maior tem como protagonistas as
estridentes araras-vermelhas e araras-canindé (azuis de peito amarelo).
- Araras, no topo dos torreões
- Para flagrá-las, é preciso alcançar o topo dos torreões no fim da tarde.
A subida exige algum esforço, pois o terreno é um aclive irregular. Do alto, a
vista recompensa. Alcança os limites da verdejante reserva, em que 175 hectares
são reconhecidos como patrimônio natural. Esteja atento: o guia vai
identificar as araras numa das muitas árvores, assim, de repente. Há de se
estar com a câmera em punho - e se aproximar a passos lentos, em silêncio.
Qualquer movimento brusco põe tudo a perder, pois as aves, ariscas, alçam vôo.
- Fiéis ao seu par até a morte, as araras andam sempre em casal. Quando um
dos dois morre, o outro mantém-se só pelo resto da vida. No máximo, faz
amizade com outra dupla. Por isso, não é raro avistar três belas aves
escarlates cruzando o céu. Uma delas perdeu o companheiro, embora lhe mantenha
fidelidade até o fim.
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| Uma
viagem à pré-história
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Fábio Vendrame/AE
Pinturas rupestres no Sítio Arqueológico de Serranópolis: presença humana na
região tem mais de 11 mil anos
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A simples idéia de estar num lugar que há 11 mil anos registra a presença
do ser humano, por si só, já seria capaz de fascinar muita gente. Tê-lo
conservado a salvo da ação destrutiva do homem contemporâneo chega a ser um
privilégio no Brasil, onde iniciativas assim encontram respaldo em poucas
instituições, caso do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan).
- Na Pousada das Araras, esse trabalho de preservação resulta na sua maior
herança, hoje carro-chefe do turismo local.
- Toma-se uma trilha com pouco mais de um quilômetro para alcançar o Sítio
Arqueológico Manoel Braga. Ali estão reunidas mais de 500 pinturas rupestres,
com representações pictóricas antropomórficas, de animais e de figuras geométricas
que atiçam a imaginação. Gravadas nas paredes da Gruta das Araras com tinta
obtida da mistura de óxido de ferro, óleo de copaíba e gorduras animal e
vegetal, as figuras compõem um painel pré-histórico de valor universal.
- "Cada um cria sua própria versão diante das pinturas", diz o
guia nativo Sandro Marques Gontijo, de 21 anos.
- Objeto de estudo desde 1975, a gruta teria servido de abrigo para os homens
mais ancestrais do continente, que ali registraram hábitos e, quem sabe, crenças.
Impressionam o traçado e os detalhes de uma grande ave estampada numa das
paredes. O desenho virou marca registrada da pousada.
- Há cerca de 40 sítios arqueológicos na região de Serranópolis. Nenhum,
no entanto, nas mesmas condições em que se encontra o das Araras, graças ao
trabalho do casal Marcos Ramos da Silva e Ivana Souza Braga Ramos - ela,
herdeira direta de Manoel Braga, antigo proprietário das terras, cujo nome
batiza a área tombada. "Acredita-se que cerca de 550 gerações indígenas
tenham passado por ali, entre as quais os carajás e os bororos", diz
Ivana.
- Além de promover ações em prol do meio ambiente, o casal comanda há nove
anos a pousada, uma das melhores opções de hospedagem da região. Há 18
leitos e dois charmosos chalés, além da área de camping para 80 pessoas.
- Fazer reserva é obrigatório. "Por conta do nosso isolamento,
precisamos estar preparados para receber as pessoas", explica Silva.
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Fábio Vendrame/AE
Guia observa a paisagem do Cerrado do teto de uma Kombi
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COMO CHEGAR
O trecho São Paulo-Goiânia-São Paulo custa a partir de R$ 696 na Vasp
(tel. 5532-3000); a partir de R$ 712 na Gol (tel. 0300-789-2121); e partir de R$
948 na TAM (tel. 3123- 1000) e Varig (tel. 5091-7000). Para alugar um carro lá,
a diária com quilometragem livre e seguro total sai por 114,23 na Hertz e R$
135 na Localiza.
ONDE FICAR
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- Fazenda Santa Amélia: Rodovia GO-302, km 65, Chapadão do Céu, tel.
(0--64) 634- 1380. A diária no chalé custa R$ 120 por casal, com refeições.
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- Hotel Paraná: Av. Indaiá, 616, Chapadão do Céu, tel. (0--64) 634-1227.
Duas pessoas por R$ 35, com café da manhã.
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- Rafael Hotel: Av. Indaiá, 697, Chapadão do Céu, tel. (0--64) 634-1247. A
partir de R$ 35 para duas pessoas com café da manhã.
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- Hotel Solar das Serras: Rua Gerson Chaves Neto, 1, Serranópolis, tel.
(0--64) 668-1762. R$ 37 o casal, com café da manhã.
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- Pousada das Araras: Rodovia GO-184, km70, Serranópolis, tels. (0--64)
668-1054 e (0--64) 9988-8436; site www.pousadadasararas.com. Diária: R$ 200,
chalé para 2 pessoas (pensão completa).
ONDE COMER
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- Restaurante e Hotel o Panelão: Av. Maximiliano Peres, s.nº, Serranópolis,
tel. (0--64) 668-1527. Refeição a R$ 7.
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- Churrascaria e Posto Pinheiro: Sidney e Rizadinha: Jardim das Morangas, km
51, Serranópolis, tel. (0--64) 668-1351. Churrasco a R$ 9.
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- Restaurante e Pizzaria Fogão a Lenha: Rua Ingá, s.nº, Chapadão do Céu,
tel. (0--64) 634-1826. R$ 7 a refeição.
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- Restaurante Pousada das Emas: Rua Ipê, s.nº, Chapadão do Céu, tel.
(0--64) 634-1004. Almoço self-service por R$ 8.
INFORMAÇÕES ÚTEIS
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- Reserva Particular de Proteção Natural Pousada das Araras - aberta de
quarta-feira a domingo, das 8h às 17h. Entrada a R$ 10 por pessoa.
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- Guias: em Serranópolis, quem quiser contar com os serviços de guia local
deve entrar em contato com Odizon Barbosa Ferreira pelo tel. (0--64) 9606-7522.
A diária custa R$ 40 por grupo. O telefone da Associação da Guias de Chapadão
do Céu é (0--64) 634-1119.
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- Parque Nacional das Emas: acesso pela Rodovia GO-341. Aberto todos os dias,
das 7h às 17h. Ingressos a R$ 3 por pessoa. Informações pelo tel. (0--64)
634-1704.
PACOTE
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- FreeWay: No programa oferecido pela FreeWay (tel. 5088-0999; www.freeway.tur.br)
estão incluídos a passagem aérea, os traslados, duas noites de hospedagem em
Goiânia, duas em Serranópolis e duas em Chapadão do Céu, além de café da
manhã, 4 jantares, 4 almoços, 1 kit lanche para trilha, passeios, entradas
para as atrações, acompanhamento de guia e seguro-viagem. Preço: R$ 1.870 por
pessoa. Saídas aos sábados.

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