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25/08/2003 - 03h09 De norte a sul, Goiás alardeia
diversidade
PAULO DANIEL FARAH Especial para a
Folha de S.Paulo, em Goiás
Goiás vem se firmando como
uma boa alternativa para quem quer observar animais em um cenário
com um quê de savana africana, encontrar vestígios das primeiras
ocupações humanas do cerrado ou conhecer algumas das centenas de
cachoeiras do Estado.
As duas primeiras opções concentram-se
no sudoeste goiano. Serranópolis possui um dos mais importantes
patrimônios arqueológicos do continente americano, com pinturas
rupestres e ossadas de até 11 mil anos. A região também é o destino
ideal para quem quer ver animais.
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Paulo Daniel Farah/Folha
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Sol promove cena radiosa no parque
das Emas; arco-íris se forma em respingos de queda-d'água |
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Descrito
como "um zoológico a céu aberto", no Parque Nacional das Emas é
possível observar milhares de espécies da flora e da fauna
brasileira: tamanduá-bandeira, anta, veado-campeiro, lobo-guará,
tatu, capivara, ema, mutum, arara e tucano.
O parque, às
vezes, fica dez dias sem receber ninguém, conta o condutor Edmar
Paes Barbosa, 47. "Até pouco tempo, esse parque estava totalmente
fechado."
Segundo ele, o parque é mais usado para pesquisa.
Prova disso é que estudos com tamanduás, onças, cobras e insetos vêm
permitindo o desenvolvimento de pesquisas pioneiras e a observação
de fatos inéditos sobre o comportamento animal.
Já no norte
do cerrado goiano (a cerca de 240 km de Brasília), a chapada dos
Veadeiros, o mais antigo patrimônio geológico da América do Sul, é
considerada um dos paraísos ecológicos do Brasil. Formada há 1,8
bilhão de anos, a região foi descoberta por sua riqueza mineral --os
moradores afirmam que há no subsolo uma área de 200 km2 de
cristal.
Em parte por causa das pedras, a chapada dos
Veadeiros é conhecida como um centro místico e atiça os esotéricos
para uma visita. Atravessada pelo Paralelo 14 (o mesmo que trespassa
Machu Picchu), a região oferece núcleos de meditação, cultura e
terapias alternativas. Alguns moradores relatam histórias de cura e
de crescimento espiritual.
Montanhas, rios, córregos,
corredeiras, cachoeiras e piscinas naturais complementam o cenário.
Quase sempre, a água é muito limpa. A área mais alta do Planalto
Central, a mais de 1.600 metros acima do nível do mar, alimenta as
três maiores bacias hidrográficas do Brasil: a da Amazônia, a do
Paraná e a do São Francisco.
Criado em 1961 pelo presidente
Juscelino Kubitschek, o Parque Nacional Chapada dos Veadeiros começou a atrair turistas na década de 80. Hoje, recebe
cerca de 1.500 visitantes por mês; em épocas de férias, o número
quadruplica (em julho, foram 6.000 pessoas).
O passeio no
parque começa no povoado de São Jorge e pode estender-se por um dia
inteiro nas trilhas (há duas principais), cachoeiras, cânions e
quedas-d'água --como o Salto do Rio Preto, a Corredeiras e a
Carioquinhas.
No local e em seus arredores no norte de Goiás,
a observação de animais (à exceção de aves) é bem menos gratificante
do que aquela feita no sudoeste do Estado.
É preciso cautela
na estrada que vai de Alto Paraíso a São Jorge (38 km) e que permite
o acesso ao parque. O cascalho pode causar acidentes e danificar os
carros.
Na chapada dos Veadeiros, vale conhecer a história de
uma comunidade remanescente de quilombo: a dos calungas. Ali,
experiências de vida, belezas naturais e tradições se conjugam com a
história do Brasil.
Paulo Daniel Farah
viajou a convite da FreeWay e da Associação de Roteiros de Natureza
e Charme da chapada dos Veadeiros
Leia mais:
Especial
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25/08/2003 - 03h29 Parque das Emas achega turista a
bichos
Especial para a Folha de S.Paulo, em
Goiás
Uma das maiores áreas preservadas do bioma cerrado no
mundo, o Parque Nacional das Emas, no extremo sudoeste de Goiás,
possui uma variedade impressionante de plantas e de animais --só de
aves, são 220 espécies diferentes--, incluindo algumas ameaçadas de
extinção.
Tamanduá-bandeira, anta, queixada, onça,
lobo-guará, tatu-canastra, veado-campeiro, jaguatirica, gavião,
pica-pau, seriema, tucano, mutum, arara, pássaro-preto e ema (a
maior ave brasileira, símbolo do lugar) são alguns dos animais que
podem ser vistos nessa reserva.
Reconhecido pela Unesco como
Patrimônio Natural da Humanidade, o parque abriga em 132 mil
hectares diversos tipos de vegetação do cerrado. Destaca-se o
capim-flecha, que toma 60% da extensão do parque.
Como em
geral essa vegetação não é muita densa, o visitante consegue
facilmente observar os animais no período de seca, entre abril e
setembro. A probabilidade de avistá-los cresce na mesma proporção do
silêncio adotado.
Os cupinzeiros, muito presentes no parque,
em determinada época do ano --especialmente após outubro, no período
de chuvas-- irradiam uma luz fosforescente caracterizando uma
bioluminescência num tom azul-esverdeado produzido por larvas dos
vaga-lumes. Pena que não se permite a permanência no parque à
noite.
Embora a maior parte da área pertença à cidade de
Mineiros, a visitação é mais fácil por Chapadão do Céu, a 460 km de
Goiânia. Fundada em 1982, essa cidade tem 4.000
habitantes.
Trilhas e guias
O parque possui 400
km de estradas --as trilhas são extensas, algumas com mais de 40 km.
Contratar guias credenciados e condutores autorizados pelo Ibama
(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) ajuda o turista a
compreender a diversidade natural.
Há três tipos de trilha. A
tradicional, em que se atravessa o campo, onde bichos e natureza
podem ser apreciados e tocados de perto. Na trilha interpretativa,
identifica-se os animais pelas pegadas, fezes e alimentos
consumidos, além de poder tomar conhecimento da vegetação. Na
motorizada, de ônibus ou carro, observam-se animais escondidos ou os
que não conseguem se ocultar com uma aproximação mais rápida que a
das caminhadas.
Vizinhança
O parque é cercado
por fazendas que plantam milho, soja, algodão e girassol. Em outros
locais, a vegetação nativa virou pasto para o gado. É comum ver
bichos que vivem no parque alimentarem-se nas fazendas próximas.
Emas e araras gostam de soja, papagaios preferem grãos de
girassol.
Em vários pontos, a única separação entre a área do
parque e as fazendas é uma estrada. Pesquisadores tentam convencer
os fazendeiros de que os danos provocados pelos animais à lavoura
podem ser reduzidos. As queixadas costumam entrar nas plantações e
comer o que for possível. Por isso, pesquisadores tentam encontrar
uma solução que não seja a morte indiscriminada dos
animais.
Em julho, na fazenda RS Perdizes, perto de Chapadão
do Céu, fazendeiros usaram um trator e uma caminhonete para
atropelar e cercar queixadas. Em seguida, mataram a tiros algumas
delas.
"Fiquei chocada com o que vi. Ontem, recebemos
educação ambiental, e hoje, isso... Que exemplo é esse para minhas
filhas", indaga Cristina Matsuzaki, turista de Mairiporã (SP), que
entrou na fazenda para expressar sua indignação. "Não sei se
resolve, mas ele disse que nunca mais fará isso."
Outro
problema no entorno do parque são as queimadas. Para evitar
catástrofes como a que atingiu boa parte do parque em 1994, o Ibama
acabou com as áreas contíguas entre as terras preservadas e as
propriedades particulares em 1995, evitando que as chamas de um lado
passassem para o outro. Atualmente, o instituto provoca queimadas
controladas, criando barreiras naturais entre uma região e outra do
parque.
"O bioma cerrado é o que está sofrendo o maior
processo de depredação", afirma Gabriel Borges, diretor do parque.
"Infelizmente, hoje o parque está quase ilhado por grãos e
pastagens." |
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25/08/2003 - 03h36 Galeria de pinturas rupestres orna
planalto
Especial para a Folha de S.Paulo, em
Goiás
A 372 km de Goiânia, Serranópolis possui um dos mais
importantes patrimônios arqueológicos do continente americano.
Testemunha das primeiras ocupações humanas do cerrado, a região
abrigou cerca de 550 gerações indígenas que utilizaram suas grutas
como moradia.
A reserva natural Pousada das Araras,
localizada no município, possui pinturas rupestres, materiais
líticos e ossadas que datam de até aproximadamente 11 mil anos. O
estado de conservação das pinturas é bom, pela posição privilegiada
e pelo cuidado dos donos da área. Em propriedades próximas, também
há pinturas e vestígios de presença humana, mas o descaso e a chuva
prejudicam o patrimônio arqueológico.
As pinturas, que
representam sobretudo animais típicos da região, além de algumas
cenas do cotidiano e outras que possivelmente retratam crenças
religiosas, são feitas de óxido de ferro, de argila e de carvão,
misturados com gordura vegetal ou animal.
Segundo Horieste
Gomes, geógrafo que trabalha no Memorial do Cerrado, em Goiânia, o
esqueleto humano mais antigo da América do Sul foi encontrado nos
arredores de Serranópolis, na chamada gruta do Diogo. O local, que
fica em uma propriedade particular, não possui identificação
adequada e está praticamente abandonado.
"Desmataram aquela
região, e a chuva e o sol também destruíram a gruta", afirma o
naturalista Binômino da Costa Lima, 73, o "seu Meco" (o apelido
viria de "mec"/ moleque, dado por franceses), descrito por diversos
pesquisadores goianos como um "sábio do cerrado".
Os estudos
sistematizados sobre Serranópolis e sua circunvizinhança se
iniciaram em 1975. O museu local, apesar de pequeno, possui algumas
explicações claras que poderiam ser aproveitadas pelos guias da
região.
Cachoeiras, trilhas e lagoas
Há belas
cachoeiras na região, algumas com acesso simples e boas para banho e
rapel; outras permitem apenas a apreciação visual. Há ainda cerca de
40 lagoas e rios de tamanhos diversos nessa área de Serranópolis.
Pode-se aliar as visitas aos sítios
arqueológicos a trilhas. Na reserva da Pousada das Araras, as
trilhas permitem observar a biodiversidade de plantas (muitas
medicinais) e animais nessa parte do cerrado. O programa pode
incluir um banho na piscina natural, com peixes e plantas aquáticas,
e o pôr-do-sol no paredão ou em uma rocha próxima às pinturas
rupestres. Para quem dormir no local, um dos melhores horários para
observar pássaros, como a arara, o papagaio, a curucaca e o gavião,
é de manhã, pouco antes do nascer do sol.
Próxima ao local, a
aldeia ecológica Guardiões do Cerrado oferece cursos, banhos
especiais e terapias. |
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Galeria de fotos
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Parque Nacional
das Emas
Cupinzeiro
gigante |

Parque Nacional
das Emas
Pôr do sol |
Parque Nacional
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Tamanduá
bandeira |
Parque Nacional
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Emas |
Serranópolis
Cerrado |
Serranópolis
pinturas rupestres de até 11 mil anos |
Serranópolis
pinturas rupestres de até 11 mil anos |
Serranópolis
pinturas rupestres de até 11 mil anos |
FOTOS Gabriela Romeu - Folha Imagem |
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