Março 2001 Edição 26.279 Quinta, 15/03/2001 Tiragem 450,004
COTIDIANO
Cidade pequena ganha mais verba federal
Autor: CHICO SANTOS Origem do texto: Da Sucursal do Rio Editoria:
COTIDIANO Página: C1 Edição: Nacional Mar 15, 2001 Arte: QUADRO:
RENDA "PER CAPITA" DOS MUNICÍPIOS Observações: COM
SUB-RETRANCAS Vinheta/Chapéu: ADMINISTRAÇÃO Assuntos Principais:
PREFEITURA; SITUAÇÃO FINANCEIRA; ESTUDO; BNDES; PEQUENO MUNICÍPIO; 6º
CONGRESSO BRASILEIRO DE MUNICÍPIOS; VERBA; DISTRIBUIÇÃO; GOVERNO FEDERAL; FPM /FUNDO DE
PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS/
Estudo revela que, de 26 municípios com receita 'per capita' superior a
R$ 1.000, 19 têm menos de 5.000 moradores
Um estudo recém-concluído pela Secretaria de Assuntos
Fiscais do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
mostra que os pequenos municípios são os que se encontram,
proporcionalmente, em melhor situação financeira no país, graças ao modelo
de distribuição de verbas federais para as prefeituras. Com base nesse
estudo, José Roberto Afonso, chefe da secretaria do BNDES responsável pelo
trabalho, concluiu que os prefeitos de pequenas cidades que estão em
Brasília esta semana pressionando o governo por mais verbas "reclamam de
barriga cheia". Os prefeitos estão participando do 6º Congresso Brasileiro
de Municípios, que termina hoje. O trabalho, feito a partir de dados
sobre receita e população que 1.814 municípios enviaram para a composição
de um banco de dados do Ministério da Saúde, mostra que, do total desses
municípios, apenas 26 têm receita anual "per capita" (por habitante)
superior a R$ 1.000. Desses, 19 têm população inferior a 5.000 habitantes.
Os dados são de 1998. Segundo o BNDES, a causa desse fenômeno, que
torna mais ricos os municípios
menores, é o FPM (Fundo de Participação dos Municípios), um mecanismo
criado para a distribuição de verbas federais para as cidades e que
privilegia, proporcionalmente, os municípios com menores populações. O
FPM faz com que a pequena cidade paulista de Borá, com
apenas 779 habitantes, tenha uma receita "per capita" de R$ 2.249, a
terceira maior entre as que enviaram dados ao Ministério da Saúde. Somente
do FPM, Borá recebe por ano R$ 1.389 por morador. Na outra ponta, a cidade de Aparecida de Goiânia,
um município geminado à capital de Goiás, com 306.013 habitantes em 98,
sobrevive com uma receita total de R$ 86 "per capita" ao ano, da qual
apenas R$ 27 por habitante saem do FPM. Aparecida de Goiânia ocupa o
1.802º lugar no ranking preparado pelo BNDES. Jaboatão dos Guararapes,
em Pernambuco, outra cidade-dormitório, localizada na região metropolitana de Recife, ocupa
o 1.673º lugar do ranking, com uma receita pública total de R$ 149 "per
capita", dos quais apenas R$ 26 "per capita" saem do FPM. O ranking do
BNDES é liderado pelos municípios de Paulínia (SP) e Madre de Deus (BA),
respectivamente, com receitas por habitante de R$ 2.813 e R$ 2.611.
Paulínia recebe somente R$ 12 "per capita" do FPM e Madre de Deus, R$ 175.
A primeira tem população de 47.728 habitantes e a segunda, de 10.210
habitantes. Nos dois casos, o que explica a riqueza é a receita de ICMS
(Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), obtida graças à
presença, em ambos os municípios, de refinarias de petróleo de grande
porte. Entre as 26 cidades mais bem
situadas no ranking, 17 estão em São Paulo. Na 1.814ª posição da
pesquisa está a cidade de São
Marcos (RS), com 18.212 habitantes e receita total de incríveis R$ 0,35
"per capita" por ano, sendo um terço do FPM. A também gaúcha Montauri, com
somente 1.805 habitantes, aparece em penúltimo lugar, com receita total de
R$ 1 por habitante, sendo R$ 0,55 do FPM. Para os técnicos do BNDES, a
contradição existente no fato de um município tão pequeno receber tão
pouco do FMP se explica, provavelmente, por algum erro nas informações
fornecidas. José Roberto Afonso, do BNDES, disse que, se a pesquisa
incluísse todos os 5.506 municípios brasileiros, apareceriam outras
situações dramáticas, especialmente em cidades-dormitórios, como as da
Baixada Fluminense, com a provável exceção de Duque de Caxias, sede de
outra grande refinaria de petróleo.
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