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Goiânia,
[ terça-feira ] 20 de agosto de 2002.
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Marcelo Gonçalves de Lima, biólogo:
trabalho pioneiro com as aves
Estudo para a
natureza
A arte de redesenhar paisagens. Muito mais
do que um trabalho que poderia ser supostamente
artístico, o biólogo Marcelo Gonçalves de Lima,
doutorando pela UNB, está desenvolvendo uma tese
científica em Chapadão do Céu. O estudo, se
comprovado, poderá mudar o traçado das áreas
destinadas à proteção ambiental em propriedades
rurais. O biólogo está na cidade para defender
a tese Ecologia de Paisagem em função do projeto
Corredor Cerrado-Pantanal, organizado pela
Fundação Emas de Mineiros. O trabalho está sendo
realizado em parceria com o Conservation
International do Brasil, que é a 3ª maior ONG
ambientalista do mundo. A proposta de Marcelo é
descobrir se as aves preferem conviver no cerrado
próximo à mata galeria ou se elas também se
adaptam às manchas isoladas no cerrado. Estas
manchas são muito fáceis de serem observadas nas
estradas. Elas são aquelas ilhas de vegetação
cercadas por plantações ou pasto por todos os
lados. Este trecho de mata existe em função de lei
ambiental que exige que 20% de vegetação do
cerrado não seja desmatada para plantio. A
proposta de Marcelo é que, ao invés de manter-se
as ilhas de mata em locais isolados – o que é
prescrito por lei como reserva legal–, que o
trecho a ser preservado seja uma área alocada ao
longo dos cursos d’ água; rios, ribeiros e etc.
“Um dos principais objetivos é manter as matas
galerias livres da atuação do homem, alargando o
corredor ambiental”, explica Marcelo. A tese
poderá ser documento para apresentação de projeto
de le. As pesquisas devem durar cerca de 3 meses.
Para ele, as vantagens do redesenho são muitas:
além de manter o ciclo biológico da natureza
intacto, haverá proteção do manancial de águas, do
patrimônio genético para pesquisa, derivando,
assim, em enúmeras vantagens para o produtor
rural.
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